Aventuras
Cuidado: Não compre produtos importados das mãos de estranhos na Zona Franca de Manaus!
Um tempo atrás, em Manaus, eu tinha sido seqüestrado por bandidos num local parecido. Eu e uma amiga, Joyce, aproveitamos que estávamos em Manaus para procurar eletrodomésticos para comprar. Como é de lei nestes lugares, pesquisávamos os preços, e fomos abordados por um homem que afirmava ter um vídeo cassete com o preço bem abaixo da média local.
Fiquei interessado na oferta e perguntei como ele podia vender a mercadoria tão barata. Ele respondeu que essa mercadoria vinha de um navio atracado na baía de Manaus e, como era produto a ser exportado o vídeo estava livre de taxas, o que permitia o desconto.
Porto de São Raimundo em Manaus
O homem falava bem, sabia de impostos, taxas, leis, parecia um verdadeiro comerciante. Enganou direitinho. Pediu que retirássemos o dinheiro, trezentos paus, num caixa eletrônico e depois ele nos levaria ao barco, onde efetuaríamos a transação.
Com o dinheiro na mão, eu e Joyce pegamos um táxi ao Porto de São Raimundo, onde embarcamos na lancha do comerciante junto a dois outros homens, ambos usando vistosos bonés brancos, como se fossem marinheiros. Do Porto de São Raimundo seguimos ao Porto de Manaus - ambos ficavam em Manaus, sendo o Porto de Manaus o maior -, e encontraríamos o tal navio com os vídeos cassetes no meio do caminho.
Mas ainda longe do Porto de Manaus, bem no meio da baía, um dos homens de boné perguntou se eu trouxera o dinheiro, e eu acenei que sim. Perguntei pelo vídeo, e ele me disse que logo me entregaria. Mas o dinheiro ele queria agora. Não pensei duas vezes, entreguei o dinheiro ao homem. Ele conferiu e guardou no bolso.
 As lanchas são meios de transporte comum no rio Amazonas
Chegamos a um navio atracado na baía e a lancha parou ao seu lado, os homens dizendo que podíamos desembarcar.
- Vão te dar o vídeo lá dentro - disse um deles.
Eu ajudei Joyce a subir no outro barco e subi também. No barco maior, fiquei observando a lancha sumir na imensidão do rio Amazonas junto a seus tripulantes. Logo em seguida disse a Joyce para irmos embora dali.
- Mas e seu vídeo cassete? - Ela perguntou
- Joyce, esquece esse vídeo e agradeça a Deus por estarmos sãos e salvos - eu disse. - Isso não foi uma venda, foi um seqüestro relâmpago.
Esse tipo de golpe é comum em Manaus e eu já havia percebido o lance quando dentro da lancha. Tarde demais, diga-se de passagem. Eu devia ter percebido antes. Mas ao menos nada nos aconteceu. Foi-se o dinheiro, mas ficou a nossa saúde.
Naquele dia, eu só pensava em retirar minha amiga com vida daquela lancha. E, graças a Deus, nem ela nem eu nos machucamos.
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